A metodologia usada fundamenta-se no critério da coleta de amostras para se verificar o volume madeireiro a partir da qualificação e quantificação das espécies vegetais existentes; tanto para o eventual uso de serraria (se fosse aplicável).
Deste inventário florestal foi extraído alguns tópicos pertinentes à perfeita identificação e determinação de volumes das reservas nativas e o cálculo potencial florestal para madeiras classificadas em variados padrões de eventual qualidade (primeira e segunda), além do volume de madeira classificado meramente como lenha, além do volume de espécies de árvores classificadas como alimentícias (palmiteiro).
Considerando que estas áreas poderão ser de interesse turístico, possuindo desníveis marcantes característicos da Serra do Mar, diluindo este relevo em vários planos e níveis (planalto), recebe influência direta das frentes oceânicas, tem um clima ameno e diferenciado, sendo que a consequência na vegetação apresenta uma grande variação tida na sua composição e fisionomia, permitindo a definição de distintos ambientes naturais.
Aliando-se a estes aspectos, mesmo que genericamente, variações edáficas localizadas, pode-se concluir que os fatores ecológicos de cada ambiente são responsáveis por suas impressões fitofisionômicas diferenciadas.
Para diferenciação e caracterização destes distintos ambientes, sob esta ênfase, direciona-se a avaliação do conjunto de condicionantes ecológicos particulares, para então se retratar as associações vegetais a eles adaptadas.
Segundo critérios fisionômicos-ecológicos para classificação da vegetação adotada pelo projeto RADAM/Brasil, baseando-se no sistema internacional proposto, podem-se diferenciar duas unidades distintas para as regiões das áreas de interesse ecológico, tomando como referência parâmetros altimétricos: acima de 1.400 metros, passam como associações vegetais de fisionomia geralmente herbáceo-gramoide, raramente arbustiva, entremeadas dos afloramentos rochosos; abaixo destes níveis, até os inferiores, próximos limites às áreas litorâneas, ou na vertente da formação serrana até o contato com as superfícies aplainadas do primeiro planalto, região de FLORESTA OMBRÓFILA DENSA, caracterizada por um período anual seco variando de 0 a 60 dias e com chuvas bem distribuídas, com médias anuais de 1.500 mm.
As vertentes das porções serranas apresentam ambientes semelhantes àqueles da vertente atlântica até o contato com as formações características do primeiro planalto; os campos naturais da bacia sedimentar (savana gramoide) e a região Angustifólia (Floresta Ombrófila Mista), este contato não ocorre, entretanto, dentro dos limites das áreas envolvidas neste projeto.
Na análise atual da vegetação devem ser considerados, obrigatoriamente, as influências antrópicas ocorridas durante o desenvolvimento da região, especialmente nas porções inferiores da encosta atlântica (floresta ombrófila submontana), que tiveram a maior parte da cobertura vegetal original substituída por cultivos anuais, devido à relativa e maior fertilidade de seus solos. Nas porções mais elevadas (floresta ombrófila densa montana), a interferência humana restringiu-se basicamente à extração seletiva de madeiras valiosas, sem, contudo, alterar drasticamente a fisionomia da vegetação.
A baixa fertilidade e a instabilidade dos solos arenosos das planícies quaternárias impulsionaram o homem, desde o século passado, a ocupar encostas íngremes das serras para exercer as atividades agrícolas.
Após o abandono dos cultivos, a vegetação natural regenerou-se, passando por fases seccionais distintas, aqui tratadas como secundárias, qualificadas para fins de zoneamento nos estágios de capoeira baixa (herbáceo-arbustiva), capoeira alta (arbustivo-arbórea) e floresta secundária, referindo-se às fases mais evoluídas, estratificadas em andar arbóreo dominante em um ou mais níveis inferiores dominados.
Os raros núcleos primários submontana, quando existentes, mostram sua composição e estrutura depauperadas por cortes seletivos; porém, no decorrer de décadas, foram muito abusivos. Remanescentes arbóreos geralmente não apresentam o valor comercial, sendo por isso rejeitados por ocasiões das extrações. As clareiras abertas pela queda de árvores possibilitaram a instalação de espécies pioneiras e de rápido crescimento, mascarando muitas vezes os aspectos e as constituições dessas formações.
A baixa fertilidade e a instabilidade dos solos arenosos das planícies quaternárias impulsionaram o homem, desde o século passado, a ocupar encostas íngremes das serras para exercer as atividades agrícolas.
O ambiente original caracteriza-se por uma cobertura arbórea densa e uniforme, bem desenvolvida, atingindo 25 a 30 metros de altura, composta essencialmente por espécies seletivas higrófitas, as quais associam-se a outras indiferentes e companheiras.
O clima tipicamente tropical mostra sua influência no crescimento contínuo da vegetação, assim como no interior das florestas, bastante úmidas e mal ventiladas, ricas em epífitos e espesso manto de detritos vegetais. Diferentes espécies de palmeiras imprimem feição característica ao sub-bosque, notadamente o palmito (Euterpe edulis), pela sua abundância e elegância.
O dossel da floresta caracteriza-se pela presença de um grupo heterogêneo de espécies, entre elas algumas tipicamente tropicais e que raramente ultrapassam o nível subsequente das formações montanas (seiscentos metros), como o guapuruvu (Schizolobium parahyba) e bocuva (Virola oleífera). Das demais, devem ser citados o pau-sangue (Pterocarpus violaceus), o guatambu (Aspidosperma olivaceum), a laranjeira do mato ou sapopema (Sloanea guianensis), as figueiras (Ficus spp.), a estopeira (Cariniana estrellensis), a licurana (Hieronyma alchorneoides), o taipa (Alchornea triplinervia), a canela-nhutinga (Cryptocarya ascheroniana), o arariba (Centrolobium robustum), a cupiúva (Tapirira guianensis), o pinho-bravo (Podocarpus sellowii), o cedro (Cedrella fissilis) e a canjerana (Cabralea canjerana), entre outros.
No andar intermediário das formações submontanas situam-se também espécies características do ambiente tropical, como o palmito, a erva de macuco (Bathysa meridionalis) e a enaúba (Cecropia adenopus), nas clareiras mais iluminadas. Além dessas espécies, também são muito comuns o bacupari (Rheedia gardneriana), a tobacuva ou secaligeiro (Pera glabrata), o ingá-macaco (Inga sessilis), a baga de morcego (Guarea spp.), o cuvalã (Capania vernalis), os guaramirins (Gomidesia marlieria [Inga]) e outras palmáceas dos gêneros Cocos (jerivá), Bactris (tucum), Attalea (indaiá) e Astrocaryum (brejauca).
O estrato arbustivo é caracterizado principalmente pelos xaxins (pteridófitas dos gêneros Nephelea, Alsophila e Cyathea), pelo caeté (Calathea sp.), caeté-banana (Calathea sericata), erva-cidreira (Hedyosmum brasiliensis) e erva-da-anta (Psychotria), que, em conjunto com abundantes bromeliáceas de hábitos terrestres e epífitas, lianas (notadamente bignoniáceas, sapindáceas, leguminosas), aráceas, rubiáceas e melastomáceas, imprimem os aspectos mais vistosos do ambiente tropical sob a influência atlântica.
De acordo com as amostragens, as propriedades das glebas 01, 02 e 03 podem ser interpretadas como florestas ecológicas primárias, alternadas pelas extrações seletivas realizadas há décadas, em função da altura comercial média das árvores mais frequentes, 16 metros, entre elas as mais frequentes: o caburé ou cabriúva (Myrocarpus frondosus), a estopeira, o pinho-bravo, o guapuruvu, o guatambu, o ipê-amarelo, o ipê-roxo (Tabebuia cf. alba) e a maçaranduba (Manilkara subsericea), esta última preferencialmente nas planícies úmidas do litoral. A estrutura principal da floresta é, portanto, composta por espécies características das formações primárias deste ambiente, tratando-se possivelmente de remanescente da floresta original, não tendo sido submetida a eventual corte raso.
De modo superficial, podemos observar uma vegetação primária, mostrando fisionomia característica, assim como nos outros níveis planialtimétricos, nas restantes das áreas.
Fisionomicamente muito semelhantes às formações submontanas, difere, além do patamar assimétrico, pelas declividades e pelo ambiente superúmido provocado pela elevação, resfriamento e precipitação das massas úmidas vindas do oceano. Estes dois aspectos aliados contribuem para a intensa e rápida drenagem das águas pluviais e fluviais, resultando em solos lixiviados, de fertilidade moderada. As espécies de clima tropical escasseiam ou quase desaparecem por completo. Além das espécies seletivas hidrófilas e mesófilas, percebemos a ocorrência de seletivas xerófilas das formações elevadas da serra (alto-montana).
O porte dessas florestas pode variar em função de diferenças itálicas localizadas, sendo normalmente mais desenvolvidas aquelas situadas em vales profundos e nas porções mais aplainadas da serra, atingindo em média de 20 a 25 metros de altura.
A família das Arecáceas contribui significativamente para a composição e fisionomia da floresta Montana, dentre as quais duas espécies – a canela-preta (Ocotea catharinensis) e a canela-sassafrás (Ocotea pretiosa), muito abundantes, foram intensamente exploradas pelo volume e valor comercial das suas madeiras.
A família das leguminosas é representada por árvores de grande porte, com copas amplas e dominantes, não raro emergentes, ultrapassando os 30 metros de altura. Dentre elas destacam-se o caouí (Newtonia glaziovii) e o pau-óleo (Copaifera trapezifolia), tidas como as mais altas da floresta Montana.
São frequentes, ainda no andar superior da floresta, o guatambu, o ipê-amarelo, a licurana, o cedro, o tapia, a guapeva (Pouteria torta), a baguaçu (Talauma ovata) e o guaraparim (Ventanea compacta), entre outras.
O ambiente no interior das florestas assemelha-se ao dos níveis inferiores submontanos, notando-se a redução na ocorrência do palmito como elemento característico, raramente ultrapassando o nível de 700 a 800 metros do nível do mar. O andar arbóreo intermediário é caracterizado pela gramimunha (Weinmannia sp.), ingá-macaco, ingá-feijão (Inga marginata), baga de macaco (Posoqueira latifolia), o pixiricão (Micomia cabucu), a almesca (Protium kleinii), o guarapere (Lamanonia speciosa), os guaramirins e canelas (Lauraceae).
O extrato herbáceo-arbustivo é caracterizado pela presença generalizada de bromeliáceas epífitas terrestres, acompanhadas de pteridófitos, melastomáceas e rubiáceas, entre as quais emerge a guaricana (Genoma schottiana) e, mais raramente, o palmito com árvores amplas já regenerado.
Nas formações das vertentes nas serras, observa-se a infiltração de espécies características da floresta mista, com algumas espécies de araucárias, como o pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii), erva-mate (Ilex paraguariensis), o vassourão-branco (Piptocarpha angustifolia) e a bracatinga (Mimosa scabrella).
O ambiente, entretanto, ainda influenciado pelas massas de ar oceânicas, apresenta características semelhantes àquelas das formações da vertente atlântica, assim como as espécies arbóreas mais expressivas que as constituem, entre elas a canela-preta, a canjerana, o guatambu, o pinho-bravo (Podocarpus sellowii) e a guapeva. A proximidade com o planalto e desníveis pouco acentuados favoreceram os antropismos diversos, desde a extração seletiva até o uso intensivo, até o uso para fins agropastoris.
Um grande exemplo de floresta primária remanescente, alterada pelo corte seletivo, pode ser observado nas vertentes mais altas, e principalmente nas áreas de captação dos mananciais, assim como na vertente atlântica, acentuadamente nas encostas do contexto geral das áreas.
À medida em que as encostas se elevam às altitudes superiores de 1.000 a 1.200 metros, exibindo declives mais acentuados até as escarpas denodadas com o material de origem, os solos tornam-se mais rasos com material erodido, impossibilitando a exuberante vegetação arbórea montana; o porte, estrutura e composição dessas formações variam para altitudes maiores e ou menores nos solos mais rasos, em um grande negativo, apresentando-se progressivamente menos desenvolvidas, com árvores e arvoretas tortuosas compostas por espécies seletivas xerófilas adaptadas a essas condições desfavoráveis e sujeitas à intensa solução, mostrando-se em geral mais uniformes e homogêneas.
Dentre as árvores e arvoretas características deste ambiente, encontram-se espécies comuns às formações halofitas justo-marinhas de planície litorânea, denominadas como restingas sub-xerofitas, sobre solos também desfavoráveis. Neste caso, podemos citar a gramimunha, o mangue-do-mato (Clusia criuva), a catia ou casca da anta (Drimys brasiliensis), as aqüifoliáceas (Ilex dunosa), cocão (Erythroxylum cuspiifolium), a orelha de onça (Symplocos celastrina) e mirtáceas dos gêneros Eugenia, Myrcia (guaramirins e cabuí), entre outras.
Nestas altitudes, sobre os solos localmente favorecidos, observa-se o avanço das espécies características da formação montana, mostrando, porém, desenvolvimento reduzido; nestas condições, podemos notar o guarapere, ipê amarelo, o ipê da serra (Tabebuia cf. Alba), a baga de pomba, a caroba (Jacarandá sp.), o cuvatã, Miguel pintado (Matayba) e a carne de vaca (Celthra scabra), entre outras.
O estrato herbáceo-arbustivo é representado por bromélias (Vriesia spp.) e pteridófitos (Gleichenia); os locais mais abertos ou já alterados são ocupados principalmente por gramíneas (Panicum sp.) e compostas, onde dominam as vassourinhas e a carqueja (Baccharis spp.), podendo ocorrer também densos taquarais, geralmente constituídos por espécies do gênero.
Os limites inferiores desta formação podem ingressar abaixo dos níveis montanos (abaixo dos 1.000 metros) em situações edáficas e/ou topografias semelhantes. Os limites superiores são nítidos, atingindo as altitudes de até 1.400 metros ou mais, quando a fisionomia característica dos campos de altitude determina o contato com a floresta ombrófila densa ou refúgio ecológico.
Nos caminhos utilizados para escaladas, a transição da floresta montana para floresta alto-montana é particularmente nítida, acontecendo em torno de 1.000 metros de altura.
Segundo a definição do projeto RADAM – BRASIL, os refúgios ecológicos se constituem em agrupamentos vegetais que imprimem uma área AMBIENTAL DISSONANTE AO REFLEXO DA VEGETAÇÃO REGIONAL. Enquadram-se nesta classificação os campos de altitude ou regiões altas das serras, observáveis geralmente em altitudes acima de 1.400 metros; podendo, entretanto, ocorrer em altitudes inferiores, mais em consequência de antropismos.
Os solos raros ou incipientes nesta altitude não permitem o desenvolvimento de vegetação arbórea, restringindo-se, portanto, à formação de gramoides-arbustivas, dominada na maior extensão por gramíneas do gênero Paspalum e ciperáceas, entremeadas por ervas e arbustos de mestolamatáceas, ericáceas e compostas. Comumente, observa-se também a predominância de bambusáceas anãs, constituindo os caratuvais ou caratubas pertencentes ao gênero Chusquea e Eragrostis.
Nas pequenas depressões que apresentam alguma profundidade de solos úmidos, ocorrem as chamadas turfeiras, onde musgos do gênero Sphagnum, normalmente coabitados por bromeliáceas terrestres, xiridáceas, eriocauláceas e iridáceas, caracterizam muito esses ambientes.
A vegetação secundária se constitui em um conjunto de comunidades vegetais que surgem imediatamente após a devastação da floresta ou depois do abandono do terreno cultivado por um período mais ou menos longo, caracterizado por períodos sucessionais, demarcados, e que tendem a reconstruir a vegetação original.
O vigor da recomposição da vegetação está diretamente ligado ao tipo de tratamento do solo aplicado após a sua utilização, ocupação anterior (agricultura, pastagens, formações primárias e secundárias), e a intensidade direta de utilização (períodos longos ou curtos) refletem significativamente sobre a estabilidade e a fertilidade, esterilidade dos solos; influindo, portanto, na estabilidade do desenvolvimento da vegetação que se instala.
O estágio inicial da ocupação, caracterizado por espécies herbáceas e arbustivas pioneiras, heliófilas, constitui a capoeirinha.
Com a introdução de espécies arbóreas heliófilas de rápido crescimento, formando associações densas e homogêneas, constitui-se a capoeira.
Estas duas fases iniciais podem ser agrupadas em uma única tipologia, aqui tratadas como capoeira baixa.
Criando um ambiente favorável e instável para outras espécies arbóreas, a vegetação da capoeira tende a ser progressivamente substituída por aquelas, constituindo uma formação mais heterogênea e de transição, denominada capoeirão, de baixa para alta.
Os capoeirões evoluem para associações mais complexas e duradouras, onde o hábito e o desenvolvimento diferenciado das espécies conduzem à estratificação da população arbórea, onde se definem os elementos que irão dominar no estágio seguinte de evolução, dominando a floresta secundária, e aquelas que irão constituir o estrato inferior dominado.
O terreno abandonado, após a instalação das gramíneas, tende a ser ocupado, na maioria dos casos, por uma formação arbustiva muito característica, conhecida popularmente como vassoural, dominada por um número reduzido de espécies predominantemente da família das compostas, notadamente as do gênero Baccharis, chamadas de vassourinhas. Os vassourais concorrem com as espécies arbóreas que vão caracterizar na fase seguinte da capoeira, como o jacatirão e a capororoca, ou, na ausência destas, formariam um ambiente para a instalação lenta das espécies de ciclo mais duradouro do que o capoeirão.
A fase de capoeira apresenta uma fase de unidade fitossociológica acentuada, devido à ocupação da área por densas associações envolvendo um número reduzido de espécies arbóreas, sendo que as formações são muito comuns em regiões de florestas ombrófilas densas.
O que se verifica no Jacatirão e a Capororoca nos níveis montano e sub-montano ao longo dos primeiros anos do abandono dos cultivos. Estas espécies dominam totalmente na primeira fase herbáceo-arbustiva, da capoeirinha, com hegemonia sustentada por períodos de tempos variáveis em função das fertilidades dos solos, oscilando entre idades estimadas de 5 a 20 anos, permitindo ao longo do seu desenvolvimento a instalação de outras espécies mais seletivas.
O final da fase de capoeira define-se com a concorrência destas espécies àquelas antecessoras, que, desde a instalação, já não reagem no ambiente sombreado, determinado por serem superadas e suprimidas, desaparecendo totalmente nas fases mais evolutivas da floresta secundária.
Nas porções inferiores da encosta do serrão, Jacatirão e a Capororoca dominam amplamente este estágio; a Embaúba, por vezes, representa o mesmo papel, permitindo, entretanto, maior incidência de luz, tendendo à formação de sub-bosque diferenciado das anteriores. O mangue-do-mato, devido à sua agressividade e indiferença, pode igualmente compor o maciço homogêneo.
No extrato herbáceo-arbustivo, permanecem ainda as espécies tolerantes ao ambiente sombrio, entre as quais se instalam arbóreas que tendem a dominar e definir o estrato superior, formando os capoeirões. Entre elas, se destacam o guapuruvu, o Miguel-pintado, o ingá-macaco, a licurana, a taipa, a jacatauva, o copororoca, o cafezinho-bravo, sendo que o palmito, embora presente, possivelmente ainda não está encontrando condições favoráveis para o seu desenvolvimento nesta fase.
Em altitudes superiores, além da Capororoca e do Jacatirão, o sagueiro se prepara para a fase seguinte; escasseiam os elementos tropicais, como o guapuruvu, a bocuva, o taipa, o cedro, e o Jacatirão-Açu, entre outras categorias mesófilas.
Ambientes semelhantes a estes podem ser facilmente observados na flora que testemunha a ocupação anterior.
Quando as capoeiras entram em fase de substituição, coincidindo normalmente com o ciclo de vida relativamente curto das peneiras arbóreas, o dossel passa a ser ocupado progressivamente por um conjunto mais diversificado de espécies, consequentemente imprimindo heterogeneidade fitofisionômica mais acentuada às suas formações. Portanto, no final do capoeirão, que se define a estratificação do componente arbóreo em dois andares, um dominante e outro dominado, de quando caracterizados e estabelecidos, passam a constituir a floresta secundária.
A fisionomia e estrutura dos capoeirões não mostram diferenças marcantes nos níveis montano e sub-montano da floresta ombrófila densa; a sua florística, entretanto, varia em função da proximidade de planície hidrófila litorânea ou das formações xerófilas alto-montanas.
A população arbórea não apresenta ainda uma estratificação definida; sua altura média pode atingir no máximo 15 metros de altura, e seu maior desenvolvimento pode ocorrer em idades estimadas de 30 a 40 anos. Seu interior, mais sombreado e úmido, favorece o estabelecimento de epífitas e a instalação efetiva do palmito, nítidos sintomas da alteração microclimática do meio ambiente.
Nos capoeirões sub-montanos, o guapuruvu e a embaúba formam uma associação muito característica, facilmente identificável pelos aspectos de suas copas e folhagens. A guaricana, a taipa, a canela-ferrugem, a bocuva, o jacatirão-Açu, o Miguel-pintado e o cuvutã destacam-se também no novo dossel, suprimindo as espécies dominantes da fase anterior (capoeira), eventualmente presentes e em visível fase de substituição.
Acima dos 600 a 700 metros de altitude, as espécies características do dossel sub-montano, como o guapuruvu, a embaúba e a bocuva, são substituídas pelo pau-sangue, pau-óleo, caovi, canela-guaica, guatambu, canjerana, entre outras.
O sub-bosque dos capoeirões, favorecido pelo ambiente suprimido e por uma melhor estruturação do andar superior, é constituído por pteridófitos, bromeliáceas, marantáceas, rubiáceas e piperáceas uniformemente distribuídas. Entre elas, observa-se, além da regeneração das arbóreas dominantes, a instalação das espécies que irão constituir o segundo estrato das florestas secundárias, como o cafezeiro-bravo, o jacarandá-lombriga, os ingazeiros, o pixiricão, a erva de macuco, os guaramirins, a pimenteira, a erva-da-anta, o tucum e as palmáceas, muito frequentes.
Esta fase é caracterizada por uma vegetação heterogênea, apresentando dois estratos arbóreos definidos e um terceiro de emergência. O estrato arbóreo-arbustivo é bem desenvolvido e bem distribuído, onde já é notável a presença de lianas (cipós), epífitas e constritoras, que contribuem para a ideia de equilíbrio dinâmico nessas formações secundárias. A altura do estrato superior pode variar de 10 a 20 metros, podendo chegar até 25 metros, em função das condições físicas e fertilidade do solo. A composição geralmente é determinada pelas espécies dominantes da fase superior dos capoeirões, entre as quais se incluem a estopeira, o ararí, a laranjeira-do-mato, a sapopema, o leiteiro, a canela-fogo, a canela-preta, o pinho-bravo e o ipê-amarelo, conduzindo as formações mais evoluídas, com acentuada semelhança florística e fisionômica às florestas primárias; comumente induzindo o observador leigo a assim interpretá-las. Tal fato pode ser observado na maior parte da amostragem inventariada, caracterizada pela dinâmica da guaricica, guapuruvu, pinho-bravo, pau-sangue, embiruçu, a bocuva e, nas partes das montanhas, caracterizada pela Santana, ipê, Miguel-pintado, pau-óleo, licurana, caovi e estopeira.
Os sub-bosques nesta fase apresentam um andar arbóreo dominado, onde se destacam a tabocuva, o araticum, o guamirim-vermelho, o bacupari, o carvoeiro, o pixiricão, ingá, erva-de-macuco, guabiroba, a mandioqueira, o coração-de-bugre, entre outras espécies.
Em níveis inferiores a 700 metros de altura, o palmito já encontra condições de pleno desenvolvimento, caracterizando o interior das florestas secundárias, juntamente com a brejauva, o indaiá e o tucum.
O estrato herbáceo-arbustivo é caracterizado pelos xaxins, caetés, guaricana, canafístula, jaborandi, erva-cidreira e taquaras. A presença de trepadeiras e constritoras é representada pelo cipó-braco-de-rei, dacea e arcea. Em locais mais íngremes, rasos ou rochosos, observa-se a ocorrência de Gleichenia e pteridófitas, de aspecto e caráter místico, por vezes associadas a colônias de licopódios.
A adoção do sistema de classificação da vegetação do projeto RADAM-BRASIL mostra-se eficiente na definição de ambientes naturais, especialmente nas áreas que apresentam desníveis ecológicos marcantes, em uma época em que a uniformidade terminológica ainda faz-se sentir nos meios técnicos envolvidos com esta atividade. Neste sentido, são comuns as diferentes denominações para uma mesma situação, como, por exemplo, ‘MATA ATLÂNTICA’, floresta pluvial atlântica, floresta tropical da serra do mar, floresta tropical pluvial atlântica, entre outras, que, mesmo amplamente difundidas, não definem um ambiente específico. A classificação fisionômica-ecológica, por sua vez, embora utilize uma terminologia pouco difundida no Brasil, é amplamente difundida, usada e aceita internacionalmente.
Depreende-se que, na quase totalidade da cobertura vegetal destas glebas, entre si são comuns, sofreram antropismos; as formações sub-montanas, em todas as suas vertentes, sofreram alterações. Somente em locais de declives acentuados, impróprios para qualquer atividade agrícola, não sofreram intervenção humana, ficando restritas somente à eventual extração seletiva. Esta situação topográfica e agressiva expressa as vertentes originais da Mata Atlântica, locais onde a maior parte do contingente natural ainda se faz presente. A detecção e localização de áreas intactas ou inalteradas, quando houver, deverão ser levantadas com um melhor detalhamento no futuro.
Neste caso, como é do mar, os desníveis acentuados entre as porções planálticas e a planície litorânea permitem a definição de patamares altimétricos, aos quais são atribuídas diferentes situações fisionômico-ecológicas, ou, em outras palavras, distintos tipos de vegetação. A fisiografia particular a esta região serrana permite, entretanto, interpretações dos diferentes tipos altimétricos.
Neste sentido, considera-se válida e oportuna a observação das características preferenciais de determinados grupos e espécies, dividindo-se em: seletivas, hidrófilas, ocupando os níveis sub-montanos influenciados pela planície úmida do litoral; seletivas xerófilas, adaptadas a solos mais secos ou de drenagem rápida, como observados nos níveis alto-montanos; espécies mesófilas, preferindo situações equilibradas (nem secas, nem muito úmidas), o que se observa nos níveis montanos da floresta ombrófila densa. As espécies indiferentes ocorrem indistintivamente em qualquer dessas situações. As interpretações tipológicas, baseadas em critérios fisionômico-ecológicos, podem, portanto, ser detectadas também por aspectos florísticos, observando o comportamento e distribuição das espécies seletivas.